Blog do Lê
Por uma ciência mais punk
Ganhador de um dos mais prestigiados prêmios científicos do mundo, Howard Jacobs mistura a atitude punk com pesquisas que podem explicar por que envelhecemos.
Por Mauro Tracco
Em novembro de 2004, a sociedade científica ficou chocada durante acerimônia de entrega do prestigiado Prêmio Descartes, uma espécie deNobel europeu. Poucos acreditaram que o homem de cabeça raspada, usando camiseta dos Ramones, coturnos e jaqueta de couro estava no evento certo, até ele receber o prêmio principal. Era o geneticistaHoward Jacobs. Quando perguntaram a ele por que havia subido ao palco do Castelo de Praga, Tchecoslováquia, com uma camiseta dos Ramones, ele disse: "porque eu gosto da banda".
Howard é punk, e um dos primeiros. Ele estava entre os milhares de jovens londrinos que, em1976, aterrorizaram a Inglaterra com uma cena movida pela raiva e pelo caos. Hoje, Howard estuda as mitocôndrias - as estruturas das células responsáveis por produzir energia, que têm um DNA próprio. É possível que, estudando esses genes, encontremos desde a cura de doenças como diabete e surdez até modos de retardar o envelhecimento. Nesta entrevista, Howard explica o que mitocôndrias têm a ver com os Sex Pistols.
Quando você se interessou pela cena punk?
Em 1976, no ano em que tudo começou.
Quais as principais semelhanças que você vê entre ciência e punk rock?
Ambos têm elementos de caos criativo e de simplicidade sistemática. Punk rock é baseado em 3 acordes. Ciência envolve a repetição precisado mesmo experimento diversas vezes. O caos criativo surge do sentidoda canção ou da interpretação do experimento. Além disso, punks e cientistas se rebelam contra idéias preconcebidas. Claro, não devemos levar esse conceito muito longe. Se reduzirmos uma área à manifestaçãoda outra estaremos desvalorizando as duas. Quero dizer, um mineiro decarvão pode ser apaixonado por balé sem que exista uma conexão
Você declarou que uma noite regada a cerveja pode ser mais produtivaque 20 anos de trabalho solitário em laboratório. Você acha quecientistas podem se beneficiar da atitude punk?
Em relação aos benefícios da cerveja, eu disse que "pode", mas não afirmo que faz. Trabalho árduo em laboratório também pode produzir bons resultados. A melhor ciência nasce da combinação entre experimentos rigorosamente conduzidos e a construção de hipóteses criativas, que contraponham idéias aceitas sem uma base de experiências, mas que são "suposições convenientes". Pessoalmente, acho que algumas cervejas, especialmente quando combinadas com um showde punk rock, podem ter um efeito positivo no raciocínio. Estimulação periférica freqüentemente ajuda uma idéia a se desenvolver mais do quequando você se concentra muito nela.
Você já se sentiu excluído por outros cientistas e colegas por causada sua aparência?
Nunca. Talvez as pessoas falem coisas pelas minhas costas, mas eu nunca me senti rejeitado ou marginalizado por ser quem sou. Muito pelo contrário, meu visual cria curiosidade. Prefiro acreditar que aspessoas prestam mais atenção no que digo do que nas minhas roupas e eu faço o mesmo com meus colegas. Um cara que pareça ser um velho chato engravatado pode apresentar idéias tão interessantes quanto alguém comum corte de cabelo ridículo.
Por quê você escolheu se especializar em DNA de mitocôndrias?
Acho que foi ele que me escolheu. Ele surgiu na minha vida numa sériede descobertas acidentais durante meu pós-doutorado e desde entãoestou preso a esta área. Mas posso dizer que de alguma forma eu amo mitocôndrias e seus DNAs, principalmente o fato de elas viverem deacordo com suas próprias regras peculiares. O DNA de uma mitocôndria é muito mais rebelde do que eu jamais sonharia ser.
Como assim?
O DNA da mitocôndria usa um código genético diferente do de qualquer outro organismo ou sistema de genes. Sua replicação em humanos e emoutros vertebrados envolve um mecanismo único. Além disso, ele possuia menor quantidade possível de informação genética - de alguma maneira, conseguiu se livrar de materiais que não codificam genes e que são encontrados em todos os outros genomas. Por fim, em humanos, outros vertebrados e em alguns outros animais e plantas, ele é herdado somente da mãe - ele não faz sexo, o que é bastante peculiar.
Como é exatamente a pesquisa que lhe valeu o Prêmio Descartes?
O projeto era uma reunião de várias pesquisas. Uma das maisimportantes era descobrir a base genética de doenças mitocondriais, que podem ser desde mal de Parkinson até epilepsia, diabete ou surdez. Nós também descobrimos que a degradação do DNA mitocondrial pode causar envelhecimento, ao menos em experimentos de laboratório. Nãopodemos ter certeza que isso acontece também em humanos - outros fatores podem levar aos mesmos sintomas mais rapidamente ou podem existir interações mais complexas entre as mitocôndrias e outros fatores.
A cena punk rock é às vezes vista como um refúgio para adolescentesentediados, não muito brilhantes, passando por uma fase de rebeldia. Oque você acha dessa descrição?
Rebeldia requer pensamento, ou pelo menos é o seu primeiropré-requisito. Adolescentes entediados são freqüentemente os mais inteligentes.
Muitas pesquisas em biologia, em áreas como células-tronco e evolução, esbarram em questões religiosas. Além disso, muitos punks e cientistas torcem o nariz para religião. Qual a sua opinião?
Eu sou judeu como Joey Ramone (vocalista da banda Ramones). As pessoasficam exaltadas quando o assunto é religião e ciência. Mas, com exceção dos fundamentalistas (que são poucos no mundo desenvolvido, fora o caso bizarro dos EUA), religião é sobre aspirações morais e não
mas não tem nenhum senso de moralidade. Ciência e moralidade são necessárias para o progresso humano. Uma deveria informar a outra emvez de competirem.
Howard Jacobs, 49 anos. Nascido em Londres. É professor de Biologia Molecular na Universidade de Tampere, Finlândia. A Universidade de Glasgow, Escócia, chegou a lhe oferecer um bom cargo de professor, mas ele preferiu a Finlândia para poder se dedicar ao seu amor científico, pesquisas com mitocôndrias. Viu shows do The Clash e Sex Pistols em 1976, quando eles ainda nãohaviam lançado nenhum disco. Tem escutado as bandas Adverts, Rezillos, The Clash, Ramones, StiffLittle Fingers, Dropkick Murphy's, Tiger Army e o projeto solo de MikeNess (da banda Social Distortion).
A filosofia começa com os gregos?
Quando pensamos nas sociedades primitivas imaginamos pessoas sem o menor conforto, na mais completa insegurança e temor pelas suas vidas, ocupadas com uma busca incessante por meios de subsistência, desesperados por comida e abrigo, pois armazenavam pouca comida, não construíam casas e tinham poucas ferramentas à sua disposição para ajudá-los. Mas descobertas recentes nos mostram que o homem primitivo não trabalhava mais do que 3 horas por dia, tinha uma boa saúde física, um bom senso de comunidade e seus mitos retratavam a morte com muito mais naturalidade. Tudo isso leva a crer que precisamos reavaliar nossos preconceitos em relação ao “estado natural” do homem, um conceito-chave para muitos argumentos filosóficos.
Os homens primitivos conseguiam o que necessitavam para viver com o mínimo de ferramentas possível. É uma característica natural de todo ser vivo economizar o máximo de energia, e os meios primitivos de subsistência são uma ótima forma de economia de calorias. Essa forma de trabalho que economiza ao máximo a energia do sistema foi mantida durante a maior parte da história da humanidade. Seria um desperdício de tempo criar tecnologia demais num modo de vida nômade, já que ele não permite que você carregue muitos objetos. Conseqüentemente, as habilidades primitivas e a cooperação do grupo valiam mais que as coisas materiais que um indivíduo pudesse carregar. Com pouca matéria, pouco tempo, pouca tecnologia e pouca divisão de trabalho era possível encontrar na natureza tudo que fosse necessário para se manter vivo. O que o homem primitivo fazia durante o resto do dia? Aparentemente, não produzia nada. De acordo com os relatos de colonizadores, nas sociedades caçadoras-coletoras o homem tinha bastante tempo livre para não fazer nada, chegando a ser chamado de preguiçoso por aqueles que tentaram escravizá-lo.
De acordo com a tradição, a filosofia só pode ser feita com as necessidades primárias satisfeitas e quando há bastante tempo livre. Isso levava a crer que a filosofia só foi possível depois da divisão entre servo e senhor, pois surgiriam pessoas com tempo livre, abundância de comida e conforto. O que faltava aos povos primitivos para fazer filosofia, se eles tinham o mesmo? Eles não teriam motivos para questionamentos filosóficos? Talvez eles também tenham feito filosofia, mas será que se ocuparam dos mesmos problemas tratados pela nossa filosofia ocidental? Provavelmente não. O resultado é que, diferente do que os filósofos até bem pouco tempo podiam afirmar, os questionamentos filosóficos da nossa filosofia não tratam de questões de importância universal ao ser humano, mas de questões de importância cultural. Nossa filosofia surge através do desenvolvimento da tecnologia, da desigualdade social, da matemática e da linguagem escrita. A maior parte das culturas primitivas foi dizimada ou assimilada, poucos relatos sobraram sobre o que as pessoas pensavam naquele tempo, mas o suficiente para dizer que tinham uma sabedoria prática e uma consciência da relação entre homem e natureza que nós somente agora estamos resgatando. De uma maneira brusca e repentina, o homem mudou o modo de vida que ele seguiu por tanto tempo. Ele fez isso para arranjar comida mais facilmente, ter mais segurança e mais conforto? Para conseguir comida hoje, trabalhamos em média 8 horas por dia, consumimos muito mais calorias com o combustível que aquelas que nos provém o alimento, sem contar todo o desperdício. Insegurança se tornou um método de controle social, não se pode mais transitar numa cidade média com certeza de que se voltará vivo. O consumo de drogas e outras substâncias que causam a sensação de alívio têm aumentado constantemente, assim como o número de suicídios. É questionável que tenhamos hoje mais conforto, mais segurança ou menos trabalho, exceto para uma pequena quantidade de pessoas. É também questionável que esse tenha sido o motivo impulsionador. Porque esse motivo teria sido ignorado por tanto tempo se, segundo estudos, o homem caçador tinha a mesma capacidade mental que qualquer um de nós?"
De acordo com a tradição, a filosofia só pode ser feita com as necessidades primárias satisfeitas e quando há bastante tempo livre. Isso levava a crer que a filosofia só foi possível depois da divisão entre servo e senhor, pois surgiriam pessoas com tempo livre, abundância de comida e conforto. O que faltava aos povos primitivos para fazer filosofia, se eles tinham o mesmo? Eles não teriam motivos para questionamentos filosóficos? Talvez eles também tenham feito filosofia, mas será que se ocuparam dos mesmos problemas tratados pela nossa filosofia ocidental? Provavelmente não. O resultado é que, diferente do que os filósofos até bem pouco tempo podiam afirmar, os questionamentos filosóficos da nossa filosofia não tratam de questões de importância universal ao ser humano, mas de questões de importância cultural. Nossa filosofia surge através do desenvolvimento da tecnologia, da desigualdade social, da matemática e da linguagem escrita. A maior parte das culturas primitivas foi dizimada ou assimilada, poucos relatos sobraram sobre o que as pessoas pensavam naquele tempo, mas o suficiente para dizer que tinham uma sabedoria prática e uma consciência da relação entre homem e natureza que nós somente agora estamos resgatando.
De uma maneira brusca e repentina, o homem mudou o modo de vida que ele seguiu por tanto tempo. Ele fez isso para arranjar comida mais facilmente, ter mais segurança e mais conforto? Para conseguir comida hoje, trabalhamos em média 8 horas por dia, consumimos muito mais calorias com o combustível que aquelas que nos provém o alimento, sem contar todo o desperdício. Insegurança se tornou um método de controle social, não se pode mais transitar numa cidade média com certeza de que se voltará vivo. O consumo de drogas e outras substâncias que causam a sensação de alívio têm aumentado constantemente, assim como o número de suicídios. É questionável que tenhamos hoje mais conforto, mais segurança ou menos trabalho, exceto para uma pequena quantidade de pessoas. É também questionável que esse tenha sido o motivo impulsionador. Porque esse motivo teria sido ignorado por tanto tempo se, segundo estudos, o homem caçador tinha a mesma capacidade mental que qualquer um de nós?
Nossa filosofia é uma necessidade cultural. Nós criamos, com a civilização, um modo de vida onde a acumulação incessante de objetos materiais se tornou uma necessidade primária. Nos tornamos dependentes de um avanço tecnológico acelerado, e isso influenciou tudo que pensamos, desde a separação entre sujeito e objeto até a física newtoniana. O caminho que a filosofia tomou com os gregos foi radicalmente diferente de toda filosofia anterior. Como a civilização ocidental se confundiu com a própria humanidade por causa da sua extensão, a filosofia ocidental acabou sendo tratada como a única filosofia possível. Talvez perguntar sobre a essência de coisas como a verdade, a justiça e a bondade só têm sentido num contexto onde mentiras, injustiça e maldade podem criar problemas e preocupações. Numa tribo, essas questões seriam problemas particulares, resolvidos caso a caso. Mas numa sociedade hierarquizada, onde se acumulam um grande número de pessoas, algumas vindas de culturas diferentes, essas coisas passam a ser preocupações importantes, que somente pessoas com tempo livre poderão se dar ao trabalho de pensar. Elas tentarão entender tais questões como se fossem de importância universal, pois além de ignorarem as outras formas de vida, precisavam de uma solução que funcionasse para todas as pessoas da polis ao mesmo tempo. Neste sentido, o pensamento de Parmênides pareceu mais útil que o de Heráclito. Se o ser é uno e imutável, ele é previsível, mas para isso precisa ser racionalmente reduzível a partes que possam ser controladas. Uma vez que seu dinamismo interno segue um fluxo determinado, esse controle pode levar à dominação dos seres, culminando na dominação do ser em si. A partir de Parmênides nossa filosofia tem um longo trajeto na teoria da dominação. O mundo perde qualquer valor intrínseco em Platão, e a mente se torna superior à matéria. Em Descartes temos um avanço nessa teoria, uma justificativa que levaria Newton a criar sua mecânica, onde todos os fenômenos físicos poderiam ser explicados e controlados. Locke aplica os mesmos princípios para valorizar a propriedade, os objetos não têm valor exceto quando pertencem e estão sendo usados por um ser humano. O mundo inteiro devia ser dos seres humanos, segundo nossa filosofia. O universo inteiro, de acordo com Hegel, cumpre sua finalidade através dos seres humanos."
Nossa filosofia é uma necessidade cultural. Nós criamos, com a civilização, um modo de vida onde a acumulação incessante de objetos materiais se tornou uma necessidade primária. Nos tornamos dependentes de um avanço tecnológico acelerado, e isso influenciou tudo que pensamos, desde a separação entre sujeito e objeto até a física newtoniana. O caminho que a filosofia tomou com os gregos foi radicalmente diferente de toda filosofia anterior. Como a civilização ocidental se confundiu com a própria humanidade por causa da sua extensão, a filosofia ocidental acabou sendo tratada como a única filosofia possível. Talvez perguntar sobre a essência de coisas como a verdade, a justiça e a bondade só têm sentido num contexto onde mentiras, injustiça e maldade podem criar problemas e preocupações. Numa tribo, essas questões seriam problemas particulares, resolvidos caso a caso. Mas numa sociedade hierarquizada, onde se acumulam um grande número de pessoas, algumas vindas de culturas diferentes, essas coisas passam a ser preocupações importantes, que somente pessoas com tempo livre poderão se dar ao trabalho de pensar. Elas tentarão entender tais questões como se fossem de importância universal, pois além de ignorarem as outras formas de vida, precisavam de uma solução que funcionasse para todas as pessoas da polis ao mesmo tempo.
Neste sentido, o pensamento de Parmênides pareceu mais útil que o de Heráclito. Se o ser é uno e imutável, ele é previsível, mas para isso precisa ser racionalmente reduzível a partes que possam ser controladas. Uma vez que seu dinamismo interno segue um fluxo determinado, esse controle pode levar à dominação dos seres, culminando na dominação do ser em si. A partir de Parmênides nossa filosofia tem um longo trajeto na teoria da dominação. O mundo perde qualquer valor intrínseco em Platão, e a mente se torna superior à matéria. Em Descartes temos um avanço nessa teoria, uma justificativa que levaria Newton a criar sua mecânica, onde todos os fenômenos físicos poderiam ser explicados e controlados. Locke aplica os mesmos princípios para valorizar a propriedade, os objetos não têm valor exceto quando pertencem e estão sendo usados por um ser humano. O mundo inteiro devia ser dos seres humanos, segundo nossa filosofia. O universo inteiro, de acordo com Hegel, cumpre sua finalidade através dos seres humanos.
Essa filosofia, resultado de pensamentos absolutamente masculinos, criou as condições para nosso atual estado de emergência ambiental. Uma nova filosofia, igualitária e ecológica, encontraria inimigos em quase todos os filósofos da tradição. Sem dúvida, nossa atual filosofia é essencial para a promoção da nossa forma de vida, mas em que medida essa forma de vida é essencial para os seres humanos? Se concordarmos que essa filosofia não é universal, mas contextual, não cabe em tais situações reavaliar o contexto, no caso a forma de vida a qual nossa filosofia está atrelada? A própria filosofia poderia fazer isso? Essas são as questões que coloco.
Janos BiroMSN:
njanosbirozero@hotmail.com.brSite Pessoal:
www.antizero.cjb.net “Para um anti-site, está mais ou menos” -
"O rústico, porque é ignorante, vê que o céu é azul; mas o filósofo, porque é sábio e distingue o verdadeiro do aparente, vê que aquilo que parece céu azul, nem é azul, nem é céu."
padre Antônio Vieira, S.J. (1608 / 1697)"

Indo para a creche.

Bia, desgruda dessa TV!

Curtindo o seu programa predileto: Barney.

Pequeno vazamento no meu ap. S� interditou a portaria do edif�cio uma semana.

Fazendo bico na hora de ficar na creche, segunda feira de manhan.

Chegando no portaum da creche.

+ birra.

Explorando o terreno.

+ birra.

Fazendo uma birra.

Liga pro meu celular...

Tio Angelo e Tia Renata.

Sai da frente.

vovow Pedro.

Tem alguem com fome aeee?

Beatriz na casa do vovow Pedro no dia dos pais.
Até um urubú tem função "social"
Os Especuladores
Rodrigo Constantino
"In the business world, the rearview mirror is always clearer than the windshield." (Warren Buffett)
Poucos profissionais são tão detestados pelo senso comum como os especuladores. Normalmente, são os bodes expiatórios preferidos para os males que assolam a nação. Se o câmbio oscila muito, ameaçando a inflação, deve ser culpa dos especuladores. Se a bolsa de valores cai, com certeza são os especuladores os culpados. Se o "risco país" sobe, dificultando o financiamento externo das empresas, só pode ser obra dos especuladores. Os juros altos provavelmente são reflexo da ganância dos especuladores. E assim, a visão leiga de que alguns poucos garotos de Wall Street são causa dos problemas econômicos ganha força, confortando os assustados e desviando o foco das raízes reais dos problemas, o que interessa a muitos.
Em primeiro lugar, o que é um especulador? O verbo especular vem do latim speculari, sendo o seu significado principal algo como "tentar enxergar o futuro com os dados presentes". Qualquer um que tenta inferir algo com os dados atuais disponíveis, que tenta prever alguma coisa, está especulando. Um claro exemplo de especulação é o estoque de uma empresa. O estoque significa que a empresa não quis abaixar seus preços até o ponto de vender tudo, esperando que possa obter um preço melhor na frente. Está fazendo uma aposta incerta, usando os dados disponíveis hoje para uma aposta futura. Está especulando. O futuro é sempre incerto e arriscado. Qualquer empreendimento é uma grande especulação!
Mas claro que o alvo das críticas são os especuladores do mercado financeiro, os que apostam em moedas, juros e bolsa com foco de curto prazo, objetivando rápidos retornos. Será que estes também têm utilidade? Será que exercem alguma função boa para o país? A resposta é afirmativa, e pretendo explicar as razões.
Os especuladores do mercado financeiro servem para dar liquidez ao mercado. Essa costuma ser a principal função mencionada. Com a maciça presença de investidores de curto prazo, buscando qualquer distorção no mercado, tentando arbitrar toda possível ineficiência, os mercados ganham bastante volume. E como todos sabem, qualquer mercado ilíquido costuma ser menos eficiente, com um spread muito elevado entre a oferta e a demanda. Assim, qualquer um que deseja investir em uma determinada ação, comprar um título de renda fixa de uma empresa ou alocar parte da poupança em dólar, se favorece dessa maior liquidez, existente graças aos especuladores. Muitas empresas usam os mercados futuros e de derivativos para hedge, travando assim o preço futuro de seus produtos, normalmente commodities. Isso possibilita uma segurança muito maior quanto às receitas futuras, uma saudável previsibilidade, graças aos especuladores.
Mas creio que os especuladores exercem um papel ainda mais importante para o mundo. Na verdade, funcionam como termômetros para doenças econômicas, como sinalizadores de medidas erradas e perigosas. Não são a causa dos problemas econômicos, mas o reflexo. Claro que pelo efeito reflexivo dos mercados podemos ter uma profecia auto realizável, onde as próprias expectativas dos especuladores acabam causando o resultado esperado. Mas, normalmente, os especuladores serão apenas um importante mecanismo de alerta, de medição da temperatura dos mercados. Não adianta muito especular sobre a falência de uma empresa totalmente sólida, assim como não costuma dar bons frutos uma aposta negativa em um país com fundamentos excelentes em um bom momento. Os especuladores são gananciosos, e querem sempre ganhar, como qualquer indivíduo. Dar murro em ponta de faca, tentar apostar contra bons fundamentos, não costuma render bons frutos. Já quando os pilares econômicos são de areia...
Portanto, a presença de especuladores em ambiente extremamente competitivo acaba forçando um aprimoramento constante dos fundamentos, tanto das empresas como do governo. Uma empresa sabe que, caso não entregue os resultados prometidos, será castigada por especuladores. Sabe que se sua governança corporativa e transparência forem aquém do esperado, perderão espaço para as concorrentes. Da mesma maneira, um governo irresponsável, que gasta mais que arrecada, que não faz reformas decentes, será penalizado. Não se ganha dinheiro especulando na derrocada de um governo com sólidos fundamentos. E os especuladores adoram dinheiro!
Como fica claro, não há motivos para culpar os especuladores pelos problemas econômicos dos países emergentes. São os fundamentos desses países que precisam ser fortificados. Afinal, não é muito racional culpar um termômetro pela febre de um doente...
Pequeno Dicionário da Língua de Pau
Para boas risadas do politicamente correto... aliás faltou essa no dicionário!
Amigos,
Abaixo, interessante texto sobre a transgenia das palavras nestes tempos do modo politicamente besta de pensar e dizer as coisas. Aliás, estou elaborando um "Pequeno Dicionário da Língua de Pau", que trata do mesmo assunto. Em breve mandarei novidades.
Abraços,
Félix
Serpentário de palavraspor José Monir Nasser (*) em 12 de agosto de
2005
Resumo: Em sua obra "1984", Orwell faz sombrio retrato do futuro da humanidade, que acabaria refém de uma espécie de supergoverno, o Big Brother. Como a profecia está aos poucos se realizando, é necessário conhecer algumas palavras e expressões que expressam essa realidade.
© 2005 MidiaSemMascara.org
O escritor britânico George Orwell (1903-1950), simpático ao socialismo, mas crítico do stalinismo, fez um grande favor ao mundo ao escrever dois livros proféticos: "Animal Farm" (1945) e "1984" (1949). O primeiro descreve a rebelião dos animais de uma fazenda contra os humanos que os escravizavam e o estabelecimento ali de relações "animais" pós-revolucionárias, que não contemplariam mais nenhuma exploração. No entanto, naquele mundo socialista "de iguais" acabaram mandando de verdade os porcos, que eram "mais iguais do que os outros". Já no segundo, "1984", Orwell faz sombrio retrato do futuro da humanidade, que acabaria refém de uma espécie de supergoverno, o Big Brother, nome que ele cunhou, que tudo controlaria, fazendo transbordar para a sociedade um novo ethos verbalizado por uma nova língua, a novilíngua, cuja semântica funcionaria às avessas. Como a profecia está aos poucos se realizando, para não deixar o leitor na mão em tempos tão bicudos e prestando um serviço de utilidade pública, segue lista de palavras e expressões em novilíngua. A lista é pequena, mas suficiente para o leitor poder freqüentar sem constrangimentos os salões mais elegantes da Nova Ordem Mundial.
1. Ação afirmativa - Palavra que indica privilégios para este ou aquele grupo, a título de compensação por isso ou por aquilo, com o dinheiro de quem nada tem a ver com o assunto. É uma forma sofisticada de racismo, sexismo e preconceito econômico.
2. Apropriação social do saber - Seria apenas um pedantismo pretensioso para substituir a palavra "aprender", se não significasse aprender apenas aquilo que interessa para apoiar a revolução e não o melhor da cultura humana. Além disso, quem aprende é o indivíduo.
3. Assédio moral - Criminalização da autoridade privada com o fim de estabelecer a autoridade do Estado como a única legítima. Vale especialmente para patrões, professores, pais e chefes de escoteiros.
4. Assédio sexual - Criminalização do homem heterossexual e infantilização da mulher para permitir a intermediação estatal, por meio de códigos de conduta feministas, das relações entre os sexos.
5. Atitude republicana - Expressão absolutamente vazia de sentido, que pretende tudo remeter ao "espírito" que teria inspirado a proclamação da República no Brasil. A julgar pelos frutos da última, deve querer significar alguma coisa entre "golpista" e "demagógica".
6. Cidadania - A palavra historicamente servia para delimitar os poderes do Estado. Hoje é palavra de ordem para incentivar a reivindicacionismo histérico de grupelhos, por mais exóticos que os direitos pretendidos sejam.
7. Combate às desigualdades - Pretexto que o Estado usa para coletar mais impostos e ficar com o dinheiro para si, beneficiando seus cupinchas. Como estes protegidos passam a ser intocáveis, o tal do combate às desigualdades acaba sendo o maior gerador das ditas cujas.8. ConsensoEufemismo usado para fingir que a sociedade (logo você também) concorda com as decisões governamentais. Sua modalidade mais comum é chamar umas poucas ongs (ver) financiadas pelo próprio governo e dizer que tal política pública (ver) foi aprovada pela sociedade civil organizada (ver).
9. Construção do conhecimento - Expressão comum na pedagogia revolucionária, de que no Brasil foi precursor Paulo Freire (1921-1997), e que chama de conhecimento o conjunto de ódios e "denúncias" que a coitada da criança vai absorvendo de seus professores "engajados" ao longo de sua educação para a cidadania (ver).
10. Construção social (disto ou daquilo) - Expressão em si isenta de sentido que representa, na boca da esquerda, o progresso da militância na direção da tomada de poder.
11. Democracia participativa - Expressão tautológica e redundante, mas plena de sentido para quem se dá conta de que a única democracia que interessa à esquerda é a que conduz à tomada de poder, quando então nenhuma democracia será mais necessária. "Participar" aí significa "confiscar" a democracia para fins revolucionários.
12. Direitos humanos - Expressão vaga e desiderativa que dá lastro às agendas governamentais totalitárias para quem não há indivíduos reais, apenas utopias abstratas.
13. Diversidade - Palavrinha inocente, usada de modo venenoso pelo socialismo fabiano, que vê na tal diversidade focos potenciais de reivindicacionismo, cuja utilidade é justificar o aumento do Estado até mesmo para fingir "proteger" a mais manca das mulas.
14. Dívida social - Velha expressão de palanque, absolutamente descabida, mas eficientíssima para explorar o sentimento de culpa das pessoas e anestesiar o aumento da carga tributária. A expressão quer nos lembrar de que somos todos "criminosos sociais".
15. Educação ambiental - Desculpa usada pela educação revolucionária que descobriu que é mais fácil transformar crianças e adolescentes em chatinhos ecológicos do que os ensinar a usar a crase, mesmo porque seus mestres também não sabem.
16. Educação para a cidadania - Expressão que denota a transformação de crianças em militantes; mirins, incumbidos de espionar e acusar os adultos a partir dos critérios ideológicos de seus professores.
17. Elite(s) - Também conhecida como "forças ocultas", é palavra misteriosa e esotérica, usada para botar a culpa em insondáveis culpados. Getúlio Vargas teria sido induzido ao suicídio por elas; Jânio Quadros teria renunciado por sua causa e agora descobrimos que as ditas cujas seriam também as responsáveis pela roubalheira do partido no poder. Ufa, ainda bem.
18. Empresas cidadãs - Expressão que denota um conjunto de firmas que, além de pagarem impostos altíssimos, sofrerem todo o tipo de fiscalização e terem de pedir licença para todo o mundo ainda têm de pagar uma espécie de "pena alternativa", cuidando de assuntos que competem aos governos. Parafraseando Nelson Rodrigues, não é verdade que as empresas modernas gostem de apanhar; só as normais.
19. Ética - Palavra usada freqüentemente por todos aqueles que, acusando os outros, pretendem esconder sua própria infâmia. Não é surpresa, portanto, que após vinte anos denunciando a falta de ética de todo o mundo, o Partido dos Trabalhadores revele-se o maior especialista na sua supressão.
20. Exclusão social - Expressão absurda, cujo objetivo oculto é transformar desafortunados descontentes em militantes, convencendo-os de que o partido é o único meio de resgatar (ver) a sua cidadania (ver).
21. Global - Palavra genérica que, em novilíngua, significa alinhamento com o projeto de governo mundial da ONU e quejandos.
22. Governança corporativa - Expressão que nada significa, mas que cumpre a função de incluir na agenda das grandes firmas a agenda ideológica do partido no poder.
23. Holístico - Termo tipo "nova era", genérico o suficiente para não significar nada, mas de alto poder anestesiante, porque dá a impressão de que seu interlocutor pensou em coisas de que você nem desconfia.
24. Humanismo - Ideologia difusa que permite aos seus adeptos odiar e perseguir indivíduos reais à vontade enquanto declaram amar uma humanidade retórica.
25. Inclusão social - Expressão irmã siamesa de "exclusão social". Significa, em novilíngua, "razão mais que suficiente para entregar seu dinheiro para o Estado" fazer a tal da "inclusão" já que, como sabemos, ele só pensa nisso.
26. Justiça social - Pretexto para o governo aumentar os impostos, partindo da idéia de que os contribuintes são culpados de alguma coisa, daí a carga tributária ser na verdade uma espécie de "justiçamento", uma oportunidade de ouro para você expiar as suas culpas.
27. Lutas sociais e políticas - Expressão romântica, trânsfuga de alguma peça de teatro de arena, cujo único objetivo é animar a militância quando esta é acometida de ataques súbitos de bom senso e decência intelectual.
28. Marco legal - Expressão bonitinha que dá a impressão de que os obstáculos tirânicos da lei são para o bem das pessoas e não para justificar um Estado pantagruélico. Trata-se de uma espécie de anestésico de toga.
29. Metas do milênio - Coleção de "oito jeitos de mudar o mundo", inventada pela ONU, que permite aos governos globalistas cobrarem mais impostos e aumentarem a tirania sob pretexto de que a ONU mandou.
30. Minorias - Palavra jamais desacompanhada do adjetivo "excluídas", autêntica matéria prima dos movimentos revolucionários que descobriram que um homossexual enragé é mais útil ao Estado do que um homossexual normal, que só é útil para ele mesmo.
31. Movimentos sociais - Conjunto de ações revolucionárias que obviamente não recebem este nome, mas que concorrem para fazer transbordar o programa do partido para todo os lugares, incluindo os mais insuspeitos, como a Associação das Senhoras Católicas.
32. Neoliberalismo - Estratagema socialista que consiste em se deixar a atividade econômica para as firmas e depois expropriá-las por meio de impostos, contribuições, taxas, regulamentações e projetos de responsabilidade social (ver), enquanto se finge que se trata aí do velho liberalismo austríaco.
33. Ong(s) - Agente(s) não governamental(is) da agenda governamental, verdadeiras entidades "denorex": parece que não são governo, mas são mais governo do que o próprio. Como a palavra é genérica, há obviamente muitas exceções.
34. Orçamento participativo - Ficção política da família da "democracia participativa", que pretende que meia dúzia de militantes presidentes de associações de bairro representem a sociedade toda na definição do orçamento. Nos últimos tempos, no entanto, parece que a palavra tornou-se eufemismo para formas heterodoxas de apropriação do erário, tipo "mensalão". E que participação!
35. Participação cidadã - Expressão-resumo da histeria reivindicatória, de modo geral associada a políticas públicas (ver), de que é a causa legitimante.
36. Políticas públicas - Expressão canhestra que, em novilíngua, significa pretexto para o governo gastar mais do nosso dinheiro com ele mesmo, respaldado pela legitimidade conferida pela participação cidadã (ver).
37. Políticas sociais - Redundância espertalhona que tem o objetivo de fazer de conta que os impostos que o governo recolhe são para outras coisas que não as sociais e que, em decorrência disso, ele precisa de mais dinheiro.
38. Questões de gênero - Esperteza psicanalóide que procura subdividir os únicos dois sexos existentes em um leque de variantes exóticas, cujas pretensões eróticas precisam ser alvo de proteção estatal. Com o nosso dinheiro, é claro.
39. Resgatar - Verbo central na novilíngua, aplicável a qualquer coisa que implique conteúdos politicamente corretos e que produzam a convocação do Estado com sua benevolência altruísta. Resgatando-se isto e resgatando-se aquilo, vai-se fazendo os eleitores e contribuintes de trouxas.
40. Responsabilidade social - Conversinha fiada que permite ao Estado obrigar as firmas a cuidarem das creches e quejandos, enquanto se dedica exclusivamente a envenenar os espíritos e colher impostos da árvore de discórdia que ele mesmo plantou, diretamente ou via ongs (ver).
41. Sociedade civil organizada - Nome que se dá quando o partido se confunde com a sociedade, atingindo finalmente o sonho gramsciano de dispensar o partido. Para que precisamos de partido, se tudo virou partido? Ainda mais nos dias de hoje...
42. Solidário - Palavra inocente, prostituída pela "engenharia da culpa" que a aplica com o objetivo de tornar os contribuintes mais dóceis e tapeáveis. Quem gostaria de ser visto como não solidário? Ninguém. Solidários até os criminosos são, vide o modus operandi do tráfico de drogas.
43. Sustentabilidade - Bobagem ambientalista. O sistema de preços da economia livre é um sistema natural de "sustentabilidade", indicando ao consumidor o que é escasso e o que é não é. Coisas escassas sobem de preço e são poupadas e é simples assim. A palavra serve na prática para justificar mais obstáculos ambientalistas.
44. Vontade política - Senha para o governo cobrar mais impostos. Encenado o teatro reivindicacionista das lutas populares (ver), o governo "relutantemente" atende o "anseio popular" (ah, faltou esta na lista) e resolve fingir que faz alguma coisa, claro, com o nosso dinheiro.
Esta é uma lista aberta, uma espécie de Wikipedia Novilingüística. Contribuições serão bem vindas e devem ser enviadas para
jmonir@terra.com.br.(*)
O autor é Economista liberal, pesquisador, editor e autor de saco especialmente cheio.

Fam�lia na vista chinesa, quem ser� que bateu essa foto? Provavelmente uma das visitas que lev�vamos para passear pelo Rio.
Friedrich Hayek
"Apenas quando nós mesmos somos responsáveis por nossos próprios interesses, e livres para sacrificá-los, é que nossas decisões tem valor moral. Nós não temos o direito de sermos altruístas em prejuízo de outrem, nem existem mérito algum em ser altruísta quando não temos escolha. Os membros da sociedade que, sob todos os aspectos, são forçados a fazer coisas boas, não tem do que se orgulhar."

Ultimo close no niver do Andreh.

Juh, Renata Sister e Valehria.

Eu, esse gorozento que vos escreve e minha Valehria.

Juh e B.

Ju, B., Andreh, Eu, Val tomando uns goroh num peh sujo muito show lah, BBT.
Déficit Comercial dos EUA
Essa é fácil, o déficit é financiado por todos aqueles que acreditam no valor do dolar, basicamente todos aqueles que exportam para os EUA e recebem dolares como pagamento, mas não só esses. Vc tem que considerar todos aqueles que investem em títulos do governo dos EUA, os "mais seguros" do planeta, e por isso mesmo rendem uma mixaria, o que pouco importa para quem se preocupa com segurança.
Esse fluxo financeiro contínuo torna esse déficit perfeitamente administrável, mas não esconde a realidade consumista de que os EUA possui um padrão de consumo muito acima de suas possibilidades, financiados pelo resto do mundo, e de que algum dia terão que fazer o ajuste crescendo mais lentamente.
Abraço do Leo Ferretti
Antonio Morales escreveu: quem financia esse déficit brutal?
The New York Times 13/08/2005 EUA têm déficit comercial mensal de US$ 58,8 bi
Saldo negativo reduz expectativa de crescimento do PIB americano Louis Uchitelle Em Nova York
O déficit comercial do país aumentou em junho para o nível mais alto em quatro meses, empurrado pelo custo crescente do petróleo importado e a relutância dos estrangeiros em comprar mais daquilo que os Estados Unidos produzem. O déficit de US$ 58,8 bilhões no comércio de bens e serviços foi US$ 3,4 bilhões acima do nível ligeiramente revisto de maio, informou o governo nesta sexta-feira (12/08). O óleo cru importado e os derivados de petróleo representaram cerca da metade do aumento, e com os preços do petróleo continuando a subir desde junho, a perspectiva é de déficits comerciais ainda maiores nos próximos relatórios. "Não há muito alívio à vista", disse Nariman Behravesh, economista-chefe da Global Insight, uma firma de previsão e coleta de dados. "Eu não me surpreenderia em ver o déficit mensal ultrapassar US$ 60 bilhões no outono, e permanecer lá."
O déficit comercial recuou no final do inverno e começo da primavera, caindo para US$ 53,6 bilhões em março, e o Departamento de Comércio presumiu que o número de junho manteria tal tendência. Tal suposição foi incorporada na estimativa inicial do departamento do crescimento econômico para o segundo trimestre, que encerrou em junho. A estimativa inicial era de um aumento de 3,4% no Produto Interno Bruto. Isto foi publicado no final de julho, antes de os números de junho do comércio estarem disponíveis. Agora o déficit de junho provavelmente eliminará entre um ou dois décimos de ponto percentual da estimativa do PIB, disseram alguns economistas. O motivo é que o gasto adicional em importados representa dinheiro que deixou de ser gasto em bens e serviços domésticos.
A produção interna é a fonte do crescimento econômico. "Nós esperávamos uma revisão para cima na estimativa do PIB para o segundo trimestre, com base em outros dados divulgados recentemente", disse Edward McKelvey, um economista sênior da Goldman Sachs, "mas o comércio está indo na direção oposta". Nenhum país teve papel maior do que a China no inchaço do déficit comercial em junho. As compras da China nos Estados Unidos subiram míseros US$ 96 milhões, para US$ 3,4 bilhões, mas suas exportações para este país saltaram US$ 1,9 bilhão, para um total de US$ 21 bilhões. Têxteis, vestuário e produtos eletrônicos tiveram papéis significativos no aumento, que resultou em um déficit comercial de US$ 17,6 bilhões com a China --superando o déficit de US$ 12,8 bilhões com a Europa em junho, o segundo lugar. O desequilíbrio com a China ganha as manchetes, ofuscando o papel das exportações americanas, que quase sempre aumentam. De fato, elas atingiram o recorde de US$ 106,8 bilhões em junho. Mas elas têm se mantido praticamente neste nível desde abril, apesar da desvalorização de 15% do dólar nos últimos três anos frente as moedas dos mais importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Um dólar mais barato deveria estimular as exportações ao torná-las menos caras em moedas estrangeiras, e estimular a produção em casa ao tornar as importações mais caras. Behravesh acredita que isto acontecerá, mas primeiro "o dólar deve cair no mínimo mais 20%, incluindo o mesmo percentual frente ao yuan chinês". O yuan teve alta de 2,1% em conseqüência do anúncio do governo chinês, em julho, de que permitirá que o yuan se valorize gradualmente. Alguns economistas argumentam que tal fé nas taxas de câmbio é equivocada. Eles dizem que o consumo e o crescimento econômico são muito mais fortes nos Estados Unidos do que em outros países, de forma que os americanos consomem importados em um ritmo maior do que as pessoas no exterior. "O déficit comercial responde mais ao diferencial de crescimento e consumo do que às taxas de câmbio", disse David Malpass, economista-chefe da Bear, Stearns & Co., representando esta posição. Mas outros economistas estão preocupados com o fato de alguns produtos, antes exportados pelos Estados Unidos, agora não estarem sendo mais produzidos aqui. Eles notam que, apesar de o superávit comercial em serviços --particularmente serviços financeiros-- estar subindo, os valores envolvidos são pequenos demais para compensar o desequilíbrio crescente em bens. Os aparelhos de televisão e videocassetes, por exemplo, não são mais fabricados nos Estados Unidos ou são produzidos em pequeno número. Mas a demanda é forte, e as importações destes itens totalizaram US$ 8,7 bilhões em junho, superando exportações de US$ 1,9 bilhão. Os veículos têm seguido um padrão semelhante --US$ 16,4 bilhões em importações contra US$ 6,2 bilhões em exportações-- e também o maquinário, em um momento em que os investimentos das empresas estão crescendo.> "Agora as pessoas se perguntam se podemos voltar a produzir nos Estados Unidos os bens que os americanos querem", disse Catherine L. Mann, membro sênior do Instituto para Economia Internacional. "Eu não sei."
Hiroshima e Nagazaki, recomendo "A Semana Final" do GNT
Sobre Hiroshima e Nagazaki está passando no GNT um documentário bastante interessante: "A Semana Final", da Segunda Guerra Mundial, com o depoimento de militares, civis e historiadores americanos e japoneses. Eu mesmo mudei minha idéia sobre o assunto. Muito interessante, pois conhecendo-se os fatos a bomba torna-se apenas o passo menos absurdo de uma guerra absurda.
Abraço do Leo Ferretti
Lula deixa o PT?
Acho que tudo isso só reforça a democracia. Se não vivêssemos num país democrático alguém saberia de tudo isso? Claro que a Globo sempre apoiou os governos, qualquer governo, pois tem interesse em manter seu quase "monopólio" da informação.
Quem acompanhou a evolução das telecomunicações no país sabe do que estou falando, como no caso das rádios locais que não conseguem nunca sua autorização/legalização, mas o fenômeno é mundial, com 3 ou 4 grandes agências controlando a informação mundialmente. Mas a internet está democratizando o acesso a informação (apesar do ainda alto custo do PC), e o povo informado pode combater os defeitos da democracia, que são muitos sem dúvida.
Pode parecer incoerente falar em democratização do conhecimento através do PC, mas o custo de geração e transmissão da informação cai exponencialmente, o que sem dúvida vai ajudar na auto educação, quebrando o monopólio da informação e fortalecendo a produção local de informações. O uso local dos recursos gerados pelos impostos também permitiria um melhor controle social e transparência, reduzindo a corrupção, herança de nossa cultura imperial: "o que é de todos não é de ninguém".
Hoje no Rio de Janeiro por exemplo, sabemos "tudo" das CPIs, mas somos totalmente alienados dos problemas e soluções para nosso município e o nosso estado por exemplo, como a questão do federalismo e da desfusão. Apenas acho que a democracia é parte da solução e não dos problemas (talvez por ser o "regime" menos pior).
Abraço do Leo Ferretti

Chegando no patio.

Indo pro patio encontrar a turma.

Outro dia na Creche.